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Primeira Encíclica do Papa Leão XIV aborda a salvaguarda da pessoa humana na era da Inteligência Artificial

Publicada nesta segunda-feira (25/05), a primeira Carta Encíclica do Papa Leão XIV, intitulada Magnifica Humanitas (A magnífica humanidade), em que aborda a salvaguarda da pessoa humana na era da inteligência artificial. Ao trazer para o centro da reflexão um dos principais desafios da época contemporânea, a Encíclica parte de um pressuposto, conforme sintetiza a equipe do Vatican News: a tecnologia não é uma “força antagônica em relação à pessoa” (4), nem “um mal em si mesma” (9). No entanto, ela “não é neutra, pois assume o rosto daqueles que a concebem, a financiam, a regulam e a utilizam”. 

“Os principais motores do desenvolvimento são sujeitos privados, frequentemente transnacionais, dotados de recursos e capacidades de intervenção superiores aos de muitos Governos. O poder tecnológico assume, uma identidade inédita, predominantemente ‘privada’ e, portanto, ainda mais difícil de discernir, gerir e orientar para o bem comum”, pontua Leão XIV (n. 5).

Por isso, logo na primeira afirmativa, a Encíclica alerta o ser humano para uma escolha decisiva: “erguer uma nova torre de Babel ou construir a cidade onde Deus e a humanidade habitam juntos”.

O apelo do Papa é para que os cristãos evitem a “síndrome de Babel”: “a idolatria do lucro, que sacrifica os mais fracos; a uniformidade, que anula as diferenças; a pretensão de uma linguagem única – mesmo digital – dedicada a traduzir tudo em dados e desempenhos, inclusive o mistério da pessoa. Este é o risco da desumanização: construir o futuro excluindo Deus e reduzindo o outro a um meio” (n. 10). “Pelo contrário, escolhamos o ‘caminho de Neemias’, que destaca o valor do trabalho conjunto para garantir a segurança da cidade de Deus aos exilados que regressavam. Reconstruir hoje significa reconhecer, na pluralidade de vozes e visões que, por vezes, lembra a dispersão das línguas, a existência duma possibilidade luminosa: a de edificar juntos, transformando a diversidade num recurso e fazendo da escuta e do diálogo o terreno comum no qual crescem a justiça e a fraternidade” (n. 10).

Leão XIV considera que hoje, “para salvaguardar a pessoa humana na era da inteligência artificial, devemos voltar a refletir sobre o bem comum, a destinação universal dos bens, a subsidiariedade, a solidariedade e a justiça social” (n. 46).

A Encíclica é apresentada em cinco capítulos: I) Um pensamento dinâmico fiel ao Evangelho; II) Fundamentos e princípios da Doutrina Social da Igreja; III) Técnica e domínio: a grandeza da pessoa humana perante as promessas da IA; IV) Salvaguardar o humano na transformação: verdade, trabalho, liberdade; V) A cultura do poder e a Civilização do Amor. No contexto da reflexão, o Papa considera a Doutrina Social da Igreja, a evolução do Magistério social - desde Leão XIII (Rerum novarum) aos dias de hoje; a normalização da guerra; pontua a ‘cegueira espiritual e cultural’, mas encoraja os fiéis a revitalizar o diálogo, desarmar as palavras, construir a paz na justiça. “Todos podemos fazer a nossa parte”.

Foto: Vatican Media